Antônio Carlos Ribeiro de Andrada

Advogado, Político e Estadista Brasileiro

5 de setembro de 1870 — 1º de janeiro de 1946

Pesquisa e Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto

Sobre Antônio Carlos Ribeiro de Andrada

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (5 de setembro de 1870 — 1º de janeiro de 1946) foi um dos mais destacados estadistas brasileiros da Primeira República e da Era Vargas. Natural de Barbacena, Minas Gerais, pertencia à família Andrada, uma das mais ilustres da história política do Brasil — sendo sobrinho-neto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1891, onde aderiu ao movimento republicano ainda como estudante, Antônio Carlos construiu ao longo de quatro décadas uma trajetória política extraordinária. Passou pelos cargos de promotor público, jornalista, vereador, prefeito, secretário de finanças, deputado federal, ministro, senador, presidente de estado e presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

Figura central da articulação da Aliança Liberal e da Revolução de 1930, foi ele quem, preterido na sucessão presidencial por Washington Luís, articulou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência — movimento que transformaria definitivamente os rumos da República brasileira. Casou-se com Julieta de Araújo Lima Guimarães, com quem teve cinco filhos, e faleceu no Rio de Janeiro em 1º de janeiro de 1946.

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Carreira

Primeiros anos e jornalismo

Após se formar em Direito, Antônio Carlos iniciou a vida pública como promotor público em Ubá e professor de história geral e direito comercial na Academia de Comércio de Juiz de Fora. Ingressou no jornalismo em 1896, tornando-se diretor-proprietário do Jornal do Comércio de Juiz de Fora, onde escrevia sobre economia e finanças, consolidando as bases de sua carreira política no Partido Republicano Mineiro (PRM).

Secretário de Finanças e Prefeito de Belo Horizonte

Em 1902, foi convidado pelo presidente de Minas Gerais, Francisco Sales, para ocupar a Secretaria de Finanças do estado — cargo em que se destacou pelo rigor fiscal e pelo apoio à economia cafeeira. Em 1905, assumiu brevemente a prefeitura de Belo Horizonte, consolidando sua reputação como administrador elegante e habilidoso.

Deputado Federal e Ministro da Fazenda

Eleito deputado federal por Minas Gerais em 1911, integrou a importante Comissão de Finanças da Câmara. No governo de Wenceslau Braz, durante a Primeira Guerra Mundial, foi nomeado Ministro da Fazenda (1917–1918), cargo em que demonstrou amplo domínio da política econômica nacional. Foi reeleito deputado federal sucessivas vezes ao longo das décadas de 1910 e 1920.

Presidente de Minas Gerais (1926–1930)

Eleito presidente do estado de Minas Gerais em 1926, seu governo foi marcado por realizações expressivas: reformou o ensino e criou a Universidade de Minas Gerais, expandiu a rede ferroviária sul-mineira, promoveu as estradas de rodagem, o fomento agrícola e a saúde pública. Foi também durante seu governo que a ruptura com São Paulo — pela indicação de Júlio Prestes no lugar de um mineiro à presidência da República — levou à formação da Aliança Liberal.

Aliança Liberal e Revolução de 1930

Preterido na sucessão presidencial, Antônio Carlos foi o principal articulador da candidatura do gaúcho Getúlio Vargas em oposição ao candidato oficial Júlio Prestes. A campanha da Aliança Liberal, intensa e polarizada, terminou com a derrota eleitoral de Vargas em março de 1930 — mas a insatisfação gerou o movimento que, em outubro de 1930, depôs Washington Luís e levou Vargas ao poder, transformando a política brasileira.

Assembleia Nacional Constituinte de 1933–1934

Eleito deputado constituinte em 1933 pelo Partido Progressista, Antônio Carlos foi escolhido presidente da Assembleia Nacional Constituinte — papel de enorme relevância histórica. Presidiu os trabalhos que culminaram na promulgação da Constituição de 1934, sendo também confirmado como presidente da Câmara dos Deputados até o golpe do Estado Novo de novembro de 1937, quando os legislativos brasileiros foram fechados por Vargas.

Ministro da Fazenda

Governo Wenceslau Braz (1917–1918). Atuação durante a Primeira Guerra Mundial com amplo domínio da política econômica nacional.

Presidente de Minas Gerais

1926 a 1930. Reformou o ensino, criou a Universidade de Minas Gerais e expandiu a infraestrutura do estado.

Presidente da Constituinte

Presidiu a Assembleia Nacional Constituinte de 1933–1934, que promulgou a Constituição de 1934.

Presidente da Câmara Federal

Presidiu a Câmara dos Deputados de 1935 a 1937, até o fechamento pelo golpe do Estado Novo.

Aliança Liberal

Principal articulador da candidatura de Getúlio Vargas à presidência e da Revolução de 1930.

Senador da República

Representou Minas Gerais no Senado Federal entre 1925 e 1926, antes de assumir o governo estadual.

Linha do tempo

1870

Nascimento em Barbacena, Minas Gerais, em 5 de setembro.

1891

Bacharelado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo. Participa do movimento republicano ainda como estudante.

1896

Ingressa no jornalismo como diretor-proprietário do Jornal do Comércio de Juiz de Fora.

1902

Nomeado Secretário de Finanças de Minas Gerais pelo presidente Francisco Sales.

1905

Assume a prefeitura de Belo Horizonte.

1911

Eleito deputado federal por Minas Gerais. Integra a Comissão de Finanças da Câmara.

1917

Nomeado Ministro da Fazenda no governo Wenceslau Braz.

1925

Eleito Senador da República por Minas Gerais.

1926

Eleito Presidente do Estado de Minas Gerais. Toma posse em 7 de setembro.

1929

Articula a formação da Aliança Liberal e a candidatura de Getúlio Vargas à presidência.

1930

A Revolução de 1930 leva Getúlio Vargas ao poder. Antônio Carlos passa o governo de Minas a Olegário Maciel.

1933

Eleito deputado constituinte. Escolhido presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

1934

Preside a promulgação da Constituição de 1934. Confirmado presidente da Câmara dos Deputados.

1937

Perde o mandato parlamentar com o golpe do Estado Novo. Afasta-se definitivamente da vida política.

1942

Concede entrevista à revista Diretrizes declarando-se contra ditaduras, única manifestação política durante o Estado Novo.

1946

Falece no Rio de Janeiro em 1º de janeiro, aos 75 anos.

Legado

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada deixou uma marca profunda na história política brasileira. Sua trajetória de mais de quarenta anos abrangeu os períodos mais transformadores da República, e sua atuação moldou instituições, leis e o próprio desenho do Estado brasileiro.

A Constituição de 1934

Como presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Antônio Carlos presidiu a elaboração e promulgação da Constituição de 1934 — um marco que introduziu avanços significativos no ordenamento jurídico brasileiro, como o voto feminino, a Justiça Eleitoral e direitos trabalhistas. Sua assinatura na Constituição simboliza o ápice de sua vida pública.

A Aliança Liberal e a Revolução de 1930

Ao articular a candidatura de Getúlio Vargas e a formação da Aliança Liberal, Antônio Carlos foi peça central do processo que culminou na Revolução de 1930 — um divisor de águas na história do Brasil republicano, que encerrou a chamada "política do café com leite" e abriu caminho para o Brasil moderno.

Municípios que levam seu nome

Três municípios brasileiros foram batizados em sua homenagem, atestando o reconhecimento nacional de sua contribuição histórica:

Antônio Carlos — MG

Município do estado de Minas Gerais, terra de origem da família Andrada e berço do ramo mineiro da dinastia política.

Antônio Carlos — SC

Município do estado de Santa Catarina, homenagem ao estadista mineiro que marcou a política nacional.

Andradas — MG

Município mineiro que homenageia a família Andrada em sua totalidade, incluindo Antônio Carlos e seus ilustres antepassados.

A tradição dos Andradas

Antônio Carlos era sobrinho-neto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência. Essa herança familiar não era apenas simbólica — moldou sua formação liberal, seu compromisso com as instituições e sua oposição às ditaduras. Mesmo durante o Estado Novo, em 1942, declarou publicamente: "As democracias vencerão a opressão; sou virtualmente contra as ditaduras" — frase que o governo Vargas não teve condições de punir, tamanha a autoridade moral do personagem.

Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.